sábado, 21 de junho de 2014

Carlos Costa quer bancos mais interventivos na gestão das empresa

O Governador do Banco de Portugal, advogou o que é de facto um novo paradigma da gestão de risco no sistema financeiro: 

"Carlos Costa, considerou hoje que os bancos devem desempenhar um papel mais ativo sobre as empresas a quem concedem crédito, de forma a evitar que estas entrem em situações de incumprimento e falência"

"E reforçou: "Não vale a pena pensar que a medida do capital em termos dos ativos ponderados pelo risco é segura. Esta é variável" e está dependente de fatores externos às instituições financeiras."

Por outras palavras, a segurança creditícia de um banco não deve estar focada no valor do colateral (geralmente imobiliário) que a empresa hipoteca a favor do banco, mas sim na viabilidade do negócio da empresa, nomeadamente na sua capacidade da gerar os fluxos financeiros que permitam cumprir o crédito.


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Carlos Costa quer bancos mais interventivos na gestão das empresas
Lusa
19 Jun, 2014, 21:07 / atualizado em 19 Jun, 2014, 21:07

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, considerou hoje que os bancos devem desempenhar um papel mais ativo sobre as empresas a quem concedem crédito, de forma a evitar que estas entrem em situações de incumprimento e falência.

"Sempre que uma empresa abre falência, é mais do que uma perda financeira, é uma parte da poupança de uma economia que desaparece ali naquele momento, e é um conjunto de empregos que desapareceram naquele momento", realçou o responsável, na sua intervenção numa conferência internacional dedicada à regulação e supervisão do setor financeiro, que decorreu em Lisboa.
"Se nós [atores do sistema financeiro] nos pudessemos ter antecipado e imposto a correção que era necessária, não só estávamos a salvaguardar a parte financeira como, sobretudo, estávamos a salvaguardar os empregos correspondentes", sublinhou.
Antes, Carlos Costa já tinha criticado a postura habitualmente adotada pelos bancos, que concedem financiamento às empresas com base nos seus modelos de gestão do risco, sem apostar numa intervenção mais ativa ao nível da sua gestão. O governador apontou mesmo para o exemplo dos fundos de `private equity` [fundos de capital de risco], que financiam as empresas mas assumem uma palavra importante no que toca à sua gestão.
"Ao contrário do que acontece com os `private equity`, os bancos ficam normalmente na retaguarda", afirmou.
Para alterar esta postura da banca tradicional, o governador disse que "o modelo de gestão do risco tem que ser profundamente alterado nos bancos", abandonando a sua "atitude passiva".
E reforçou: "Não vale a pena pensar que a medida do capital em termos dos ativos ponderados pelo risco é segura. Esta é variável" e está dependente de fatores externos às instituições financeiras.
Daí, na sua opinião, é necessário que a supervisão assente num "tripé" constituído pelo rácio de capital, pelo rácio de capital ponderado pelo risco e pela realização frequente de testes de resistência, montados sobre cenários hipotéticos que podem ocorrer no futuro.
"Estas são as minhas preocupações hoje. Como é que se consegue fazer com que o sistema financeiro faça o seu papel, assumindo simultaneamente um papel de `pipeline` entre a poupança e o investimento, de `pipeline` eficiente de transmissão [de recursos à economia], e de `pipeline` que desperdiça o menos possível de capital", destacou.
"No centro de tudo isto, há uma coisa que é fundamental: as pessoas que estão nos bancos, que gerem os bancos e os modelos de governo que têm, e as pessoas que estão na supervisão e os modelos de supervisão que têm", frisou o governador.
E concluiu: "Se alguma coisa falhou no passado foram as duas coisas. Foram os bancos e os modelos de governo e de assunção do risco, e foram os nossos modelos de supervisão que foram demasiado `backward looking` [orientados pelo passado], em certa medida, estáticos e, em certa medida, complacentes".

A conferência internacional "Tendências atuais e perspetivas de revolução da regulação e supervisão do setor financeiro - na UE [União Europeia] e em termos internacionais" foi organizada pela Cátedra Jean Monnet em Regulação Económica na UE, da Universidade de Lisboa, com o apoio do Banco de Portugal, do Instituto de Seguros de Portugal e da Associação CIRSF (Centro de Investigação em Regulação e Supervisão do Sector Financeiro).

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=746457&tm=6&layout=121&visual=49 

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