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FMI arrasa falta de resultados da reestruturação das empresas
19 Fevereiro 2014,
13:19 por João Carlos Malta | joaomalta@negocios.pt
A 10º avaliação do FMI
dá um claro chumbo à reestruturação e recuperação financeira das empresas
nacionais. O Fundo crítica a falta de desalavancagem do sector empresarial, e a
parca utilização dos instrumentos de recuperação de empresas criados pelo
Governo como o SIREVE e o PER. “Portugal está a perder um catalizador que podia
estimular a reestruturação de dívidas”, resume o documento
O
FMI elogia as iniciativas do Executivo como a renovação dos instrumentos de
reestruturação de dívidas das empresas e de insolvências, “na linha das
melhores práticas internacionais”, e a implementação de
algumas medidas como: a excepção
de pagamento de impostos nos ganhos de capital
resultantes de fusões e aquisições; e o estímulo dado ao investimento de private equities.
Mas refere que as estatísticas
mostram que “o avanço na reestruturação de dívidas de empresas é baixo”.
Aquele organismo sustenta esta
conclusão com alguns números. Primeiro, constata que a dívida das empresas privadas
estava já a apresentar uma tendência ascendente no período antes da
crise, para depois informar que no final de 2012 a mesma ultrapassava 150% do
PIB, e que o rácio da
dívida para o EBITDA era de 14 vezes no segundo trimestre de 2012. “O
sector empresarial permanece como o mais alavancado de toda a zona Euro”,
define.
O mesmo relatório chama ainda a atenção
para que apesar de as empresas terem cortado fortemente nos custos
laborais e do capital que foi investido, as “estatísticas para medir a
alavancagem do sector continuam a deteriorar-se”. E usa outro
exemplo, “a média da taxa de cobertura de juros está a diminuiu
substancialmente no período entre 2010 e 2012”, comparando com outros
países europeus.
PER e SIREVE estão a falhar
Segundo o FMI, Portugal está a perder um catalizador que podia
estimular as reestruturação de dívidas e constata que “as empresas estão a
atrasar as reestuturações além da altura em que podia ser recuperadas”.
O Fundo crítica a adesão aos dois mais
recentes instrumentos de recuperação de empresas, o PER (Processo Especial de
Revitalização) e o SIREVE (Sistema de Recuperação de Empresas por Via
Extrajudicial) que mostram números baixos de procura”. Até Setembro de 2013,
houve 1500 empresas a recorrer ao PER, e cerca de 300 ao SIREVE.
O FMI chama a atenção para outras
entropias do sistema. “Ao mesmo tempo, as empresas estão a iniciar
reestruturações de dividas para adiar insolvências inevitáveis, consumindo os
parcos recursos judiciais”. A instituição liderada pela francesa Christine Lagarde
alerta ainda para que as empresas estão normalmente expostas “a um largo número
de bancos”, o que torna difícil
encontrar uma plataforma de acordo entre todos os credores.
No fim do capítulo que dedica à
reestruturação de dívida do sector empresarial, o FMI aponta a “desalavancagem” das
empresas como algo de extrema importância no aumento da competitividade
externa e para um crescimento sustentável. “Quando estão a lutar para
financiar a sua divida, as empresas entram em modo de sobrevivência em detrimento
da gestão dos negócios”, alerta o FMI, acrescentando ainda que a manutenção
desta situação constitui ainda um risco elevado para o sistema bancário.

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